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secure by design para produtos ligados· Regulamento (UE) 2024/2847

Cyber Resilience Act para fabricantes

O Regulamento (UE) 2024/2847 impõe requisitos de cibersegurança a quem coloca no mercado europeu produtos com elementos digitais. Esta página é o ponto de entrada: o que o regulamento abrange, que decisões técnicas obriga a tomar, e quando.

Publicado
Atualizado

O regulamento aplica-se a produtos com elementos digitais, de dispositivos ligados a software comercializado como produto. As obrigações recaem sobre o fabricante, incluindo quem integra componentes digitais em produtos físicos; importadores e distribuidores têm obrigações próprias.

A diferença face a regimes anteriores é o eixo temporal: as obrigações não terminam na colocação no mercado. Gestão de vulnerabilidades, atualizações de segurança e comunicação durante o período de suporte fazem parte do produto.

Calendário do CRA

414 diasaté Aplicação plena para fabricantes (11 dez 2027)

  1. 10 dez 2024O Cyber Resilience Act entra em vigor. As obrigações para fabricantes só se tornam aplicáveis mais tarde, por fases. Regulamento (UE) 2024/2847
  2. 27 jul 2026A Comissão Europeia publica orientações não vinculativas sobre a aplicação do CRA: âmbito, modificação substancial, período de suporte, reporte e avaliação de risco. Comissão Europeia, Comunicação C(2026) 5252 (orientações nos termos do artigo 26.º)
  3. 11 set 2026Tornam-se aplicáveis as obrigações de reporte: notificação de alerta precoce em 24 horas e notificação de vulnerabilidade ou de incidente em 72 horas, para vulnerabilidades ativamente exploradas e incidentes graves. As notificações fazem-se pela plataforma única de comunicação de informações da ENISA, operacional desde a mesma data. Regulamento (UE) 2024/2847, artigo 14.º
  4. 11 dez 2027O CRA torna-se plenamente aplicável. A partir daqui, os produtos com elementos digitais colocados no mercado têm de cumprir os requisitos essenciais de cibersegurança. Regulamento (UE) 2024/2847

Calendário completo, com contexto nacional

O calendário acima mostra os marcos principais do CRA. Esta tabela acrescenta os restantes e o contexto regulatório nacional, que corre em paralelo.

DataMarcoFonte
10 dez 2024CRA em vigor
O Cyber Resilience Act entra em vigor. As obrigações para fabricantes só se tornam aplicáveis mais tarde, por fases.
Regulamento (UE) 2024/2847
3 abr 2026DL 125/2025 (NIS2 PT)
O Decreto-Lei n.º 125/2025, que transpõe a diretiva NIS2, entra em vigor. Aplica-se a entidades essenciais e importantes, incluindo fabricantes de média ou grande dimensão das divisões 26 a 30 da NACE (Anexo II), e regula a segurança das suas redes e sistemas, não a dos produtos que colocam no mercado.
Decreto-Lei n.º 125/2025, artigo 11.º
11 jun 2026Capítulo IV aplicável
Passa a aplicar-se o capítulo IV do CRA (artigos 35.º a 51.º), com as regras de notificação dos organismos de avaliação da conformidade. Dirige-se aos Estados-Membros e aos organismos, não aos fabricantes.
Regulamento (UE) 2024/2847, artigo 71.º, n.º 2
23 jun 2026Quadro Nacional de Referência
Entra em vigor o Regulamento n.º 756/2026 do CNCS, de execução do Regime Jurídico da Cibersegurança, que aprova, entre outras matérias, o Quadro Nacional de Referência para a Cibersegurança (QNRCS).
Regulamento n.º 756/2026 (CNCS)
27 jul 2026Orientações da Comissão
A Comissão Europeia publica orientações não vinculativas sobre a aplicação do CRA: âmbito, modificação substancial, período de suporte, reporte e avaliação de risco.
Comissão Europeia, Comunicação C(2026) 5252 (orientações nos termos do artigo 26.º)
11 set 2026Reporte 24h / 72h
Tornam-se aplicáveis as obrigações de reporte: notificação de alerta precoce em 24 horas e notificação de vulnerabilidade ou de incidente em 72 horas, para vulnerabilidades ativamente exploradas e incidentes graves. As notificações fazem-se pela plataforma única de comunicação de informações da ENISA, operacional desde a mesma data.
Regulamento (UE) 2024/2847, artigo 14.º
11 dez 2026Organismos notificados
Data até à qual os Estados-Membros devem procurar dispor de organismos notificados em número suficiente para a avaliação da conformidade por terceiros. A meta é dos Estados-Membros e não cria obrigações para os fabricantes.
Regulamento (UE) 2024/2847, artigo 35.º, n.º 2
11 dez 2027Aplicação plena
O CRA torna-se plenamente aplicável. A partir daqui, os produtos com elementos digitais colocados no mercado têm de cumprir os requisitos essenciais de cibersegurança.
Regulamento (UE) 2024/2847

Os sete pontos que decidem um projeto

Cada um destes é um artigo de fundo, já publicado.

  1. 01

    SBOM para firmware embebido: o que o CRA pede e como se gera sem mentir

    A lista de materiais de software exigida pelo CRA não se escreve à mão. Para firmware, a única SBOM credível sai do sistema de build, e o scan de binários serve para o que não construímos nós.

  2. 02

    O reporte de 24h e 72h: como funciona a obrigação aplicável desde 11 de setembro de 2026

    Desde 11 de setembro de 2026, um fabricante que saiba de uma vulnerabilidade ativamente explorada no seu produto tem 24 horas para o primeiro aviso. O que se reporta, a quem, por onde, e o que convém ter pronto.

  3. 03

    Classificação do produto no CRA: a decisão que define o custo de tudo o resto

    Padrão, importante classe I, importante classe II ou crítico. A categoria do produto determina se a conformidade é uma autoavaliação ou um organismo notificado, e a diferença mede-se em dezenas de milhares de euros e meses de calendário.

  4. 04

    Período de suporte: a promessa mais cara que o CRA obriga a fazer

    O CRA obriga cada fabricante a declarar por quanto tempo suporta o produto: no mínimo, em regra, cinco anos. É uma decisão de engenharia, de contratos e de fornecedores disfarçada de campo num formulário.

  5. 05

    CRA e RED: o dispositivo com rádio vive hoje sob dois regimes

    Desde agosto de 2025, o equipamento de rádio ligado à internet tem de cumprir os requisitos de cibersegurança da RED. O CRA vem substituí-los, mas até dezembro de 2027 os dois regimes coexistem, e o trabalho feito num não vale automaticamente no outro.

  6. 06

    O que o automóvel já aprendeu, e o resto da indústria vai aprender até 2027

    O setor automóvel foi o primeiro obrigado a tratar a cibersegurança como propriedade do produto ao longo do ciclo de vida, com a UNECE R155/R156 e a ISO/SAE 21434. Os veículos ficam de fora do CRA precisamente por isso, e é também por isso que servem de antevisão.

  7. 07

    CRA para quem faz software: o regulamento não é só para quem solda placas

    O equívoco mais comum sobre o CRA é achar que se dirige a fabricantes de dispositivos. Software vendido como produto está dentro. SaaS puro está fora, com uma exceção que apanha muita gente. E 'grátis' não significa 'não comercial'.

Leituras complementares

Artigos de fundo que aprofundam um destes pontos ou o aplicam a um caso concreto.

Onde é que isto se torna trabalho

Preparar um produto para o CRA não é preencher um dossiê no fim. As decisões que custam caro tomam-se cedo: que componentes de terceiros entram no firmware e como serão acompanhados, que superfície de atualização o dispositivo expõe, quanto tempo a empresa se compromete a suportar o produto, e quem recebe e responde a um relatório de vulnerabilidade vindo de fora.

O que fazemos descreve como entramos nesse processo. O ponto de partida é uma primeira leitura sem custo e por escrito, com a classificação provável do produto e as decisões mais urgentes.

Sem promessas de conformidade. Nenhum consultor pode garantir a conformidade de um produto — quem a declara é o fabricante, sob a sua responsabilidade. Trabalhamos na preparação e na redução de risco técnico.